S O S - Pedido de Socorro


Muitos devem ter a curiosidade em saber de onde surgiu o famoso S.O.S. Por este motivo coloco aqui no blog um texto bacana que explica seu surgimento.


Interessado em resolver o problema de como usar a eletricidade para enviar mensagens à distância, o inventor americano Samuel Finley Breese Morse (1791-1872) patenteou junto ao governo do seu país, em 1837, um sistema composto por transmissor de mensagens, receptor magnético e código de cliques e pausas, que ao serem recebidos e devidamente aproveitados, se transformariam na impressão de letras ou caracteres comuns de escrita. Era o sistema de telegrafia, que no entanto só viria a ser aceito sem restrições pelas autoridades mundiais após o transcurso de muitos anos.

Em 1845 Morse criou um alfabeto de fácil memorização, constituído de pontos, linhas e espaços que ao se combinarem formavam letras e números. Para isso ele aproveitou o trabalho do físico e inventor italiano Tibério Cavallo (1749-1809), que em 1795 já havia concebido a idéia de transmitir sinais por meio de linhas e pontos. Poucos anos depois, quando uma comissão de países europeus trabalhava na definição do Código Morse Internacional, seus membros decidiram adaptá-lo a algumas necessidades que haviam levantado, e para isso introduziram modificações no sistema. Uma delas foi a criação de um sinal específico para pedidos de socorro, fácil de ser lembrado em situações de emergência mesmo por quem não tivesse maiores conhecimentos de telegrafia.

Assim nasceu o S O S sem pontuação, que muitos dizem ser abreviatura das palavras “save our souls”, que significam “salvai nossas almas”, ou então “save our ship” (salvem o nosso navio), que outros tantos garantem ser o verdadeiro sentido da mensagem em sigla. Na realidade, o motivo dessa escolha foi a facilidade de sua memorização, pois além de ser a mais simples possível (oralmente diz-se "di di di da da da di di di")., já que era formada por três pontos (toques curtos), representando a letra “S”, e três traços (toques longos) representando a letra “O” (... --- ...), a transmissão de um pedido de socorro também seria rápida, ao contrário de um OSO (--- ... ---), por exemplo, que demandaria mais tempo para ser expedida.

O primeiro país a adotar esse sinal foi o governo da Alemanha, em 1º de abril de 1905, enquanto os demais passaram a aceitá-lo como padrão mundial durante a realização da segunda International Radiotelegraphic Convention, em 3 de novembro de 1906. Essa disposição foi efetivada posteriormente, em 01 de julho de 1908, quando ele então substituiu definitivamente o que se usava até então (CQD). Vale registrar que o primeiro navio a enviar um SOS pelo rádio foi o Arapahoe em 1909, que se encontrava perdido ao norte do continente americano.

O fim do sentido original do SOS se deu em janeiro de 1999 quando foi oficialmente aposentado o serviço de telegrafia Morse nas comunicações marítimas. A Autoridade de Segurança Marítima da Austrália foi a última organização internacional a deixar de reconhecer oficialmente o sistema. A Rádio Melbourne realizou a transmissão final em código Morse em seu Serviço Móvel Marítimo às 23:59 UTC do dia 31 de janeiro de 1999. 

Com relação a Morse, ele lutou contra constantes entraves judiciais concernentes ao direito de patente, que o obrigaram a gastar somas consideráveis, até que finalmente vencesse a questão. Agraciado pelos governos de toda a Europa, inclusive com honorários, o inventor passou a ser considerado um benfeitor da humanidade. 
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Escrito por FERNANDO KITZINGER DANNEMANN em 11/03/2007
Reeditado em 24/11/2011
Código do texto: T408598

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